Peixe Podre: O Jogo da Diversidade Moderna

Fevereiro 1, 2011

Na ocasião de meu 33º aniversário, percebi que minha vida não fazia sentido, visto que tinha na época como profissão ser rebobinador oficial de fitas cassete, pois a locadora na qual trabalhava recusava-se a comprar um rebobinador automático (daqueles descolados com formato de carros super caros), que morava sozinho em um apartamento alugado na zona industrial da cidade e que as mulheres me viam como um parente próximo ao Grinch. Contando também o fato que sequer minha mãe tenha me telefonado para me desejar parabéns em minha data comemorativa, digamos que meu humor não estava ultrapassando a estratosfera naquele dia.

Decidi então acabar com toda a tortura terrível que a vida injustamente havia me imposto, basta de choradeira e de desperdícios de lágrimas, pois estava decidido e não voltaria atrás: Eu ia me matar!

Antes, porém, achei que seria desperdício acabar com minha própria vida sem antes fazer algum tipo de loucura ou aventura, aquelas do tipo que vêm daqueles cadernos onde os suicidas anotam as 10 coisas que deveriam fazer antes de morrer. Bem, eu não tinha 10 coisas para fazer antes de morrer, portanto nem me dei ao trabalho de fazer o tal caderno. Fui logo até em casa e tratei de pegar meus últimos trocados separados para a futura aquisição do novo Mario Bros e caí na estrada.

Comprei-me uma garrafa de tequila vagabunda e resolvi que antes de morrer eu precisava de todas as formas acabar com minhas curiosidades, decidi que ia me matar após uma noitada num prostíbulo.

No caminho, caí no senso comum, “qualquer imbecil faz isso antes de se matar…” pensei “pois não eu, farei algo ousado”, assim, por morar na região industrial da cidade, pensei “vou comer um viadinho antes de morrer, só para ver a diferença”. Estava determinado, levaria o viado até meu apartamento e passaria a noite com ele, após isso eu me mataria. O plano perfeito.

Passei pela região e escolhi o bichinha com menor quantidade de espinhas maior aparência frágil e afeminada possível, afinal de contas eu detestaria me ver comendo outro macho peludo como o Toni Ramos em algum momento imprevisto de sobriedade no meu ato, justamente por eu ser um homem muito macho procurando apenas por variedade!

Após a escolha, e realizada as negociações, fui para meu apartamento e imediatamente abri a tequila a fim de embriagar-me antes da realização de qualquer toque anormal por ambas as partes.

Enquanto saboreava o altíssimo teor alcoólico (que não tinha intenção alguma de dividir com o bichinha [que por sua vez havia se apresentado por Salvador]), o viadinho já havia ligado o videogueime instalado na minha sala e jogava todo risonho ao meu Nintendo e justamente a meu jogo favorito, Mario Bros!

Confesso que me espantei ao ver aquela cena, ponderei em jogar videogueime com Salvador antes de traçá-lo por completo, afinal de contas, o que eu tinha a perder? Ia morrer mesmo…

Coloquei-me ao seu lado e começamos a jogar. A diversão reinou em meu coração por diversas horas no transcorrer da noite, jogávamos como duas lindas crianças gordas que não tinham noção do tempo. Jogávamos aos risos e em meio à piadas e sons do nosso amigo super Mario saltitando pela fase e, embora eu estivesse mais bêbado que um macaco astronauta, eu me divertia incansavelmente madrugada a fora. Depois de diversas horas, de nada mais me lembro, mas creio que adormeci na sala mesmo, ao lado de Salvador.

Acordei pela manhã ouvindo barulhos na minha cozinha e ao tentar me levantar, percebi que estava em companhia da mãe de todas as ressacas, assim como notei também que estava nu e com uma dor imensa em minhas partes traseiras. Mas minha decepção foi quando cheguei na cozinha de onde ouvira tais barulhos estranhos.

Deparei-me com Salvador, todo vestido, tentando escapar pela porta de saída de meu apartamento, em suas mãos carregava duas preciosidades: Meu último pacote de miojo sabor galinha caipira e minha preciosa fita de Nintendo do Super Mario. Ao notar minha presença, Salvador chutou a porta e pôs-se a correr como uma menina assustada em direção à rua. Não tive dúvidas, mesmo nu e com a ardência contínua em meu traseiro, decidi seguí-lo para recuperar meus artefatos, pois era claro seu intuito de tomar posse destes.

Corri como um panda nu, motivado somente pelo pensamento de que mesmo morto, nenhum viadinho espinhento ia colocar as mãos gordurentas de fritura de ex atendente de fast-food na minha fita do super Mario.

Finalmente, quando o capturei, Salvador começou a chorar, justificando seus atos por ser louco por super Mario e que depois que deixara o trabalho de atendente de Fast Food, nunca mais conseguira dinheiro para comprar uma fita de Nintendo.

Comovido, dei-lhe minha fita do super Mario num ato caridoso e retornei ao meu apartamento para repensar minha vida. O pensamento do suicídio havia se esvanecido perante o fato, de pela primeira vez, ter conhecido uma pessoa mais infeliz que eu.

Uma semana depois, retornei ao meu emprego como rebobinador, liguei para minha mãe e descobri que ela havia sido assassinada por um maníaco travesti no dia do meu aniversário, por isso não havia telefonado, logo, tudo estava bem.

Meses depois recebi uma carta de Salvador, ele dizia que um cantor gringo chamado George Michael que estava no auge da fama o havia levado para ser seu escravo sexual, e que por isso o estava pagando extremamente bem! Tinha todo o dinheiro necessário para comprar todas as fitas de super Mario que desejasse.

Quanto a mim? Hoje sou garoto de programa e, graças ao exemplo de Salvador, percebi que as vezes se deve dar um tiro no escuro em vez  de se desesperar. espero aqui, até que venha um roquestar me buscar para que possa mudar de vida!

Obrigado Salvador!

Escrito por: Hassanh Adão

5 Respostas para “Peixe Podre: O Jogo da Diversidade Moderna”

  1. Leilane disse

    Nossa…! Eu me identifiquei bastante com a parte em que ele diz que miojo de galinha caipira é uma preciosidade! Eu mesma salvo minha vida regularmente após 3 minutos de espera pelo delioso sabor de comida da fazenda…. Que saudade da minha avó!

    Esse texto comove de tantas maneiras! A solidão de nosso aventureiro, a falta que faz a mãe (RIP), a solidariedade dele para com o próximo… e o sonho de uma vida melhor! Uau… que venha o próximo!

  2. Diego disse

    ahushaushusa
    mto bom cara…
    mas parabéns para o Haasad, Hashad, Sherazad, sei la… deixa eu ver o nome dele (sobe a barra de rolagem e desse de novo) Hassanh, esse cara estranho ai, ele se fodeu, e não no sentido figurado da coisa… kkk
    mas ta valendo… que ele não tente se matar, porque mais vale uma fita de Mario Bros na mão, do que um miojo de galinha caipira voando!

  3. Cara… eu ouvi dizer que todo conto ou cronica acaba tendo um pouco de verdade… onde a verdade se encaixa? Esse texto foi escrito por outra pessoa que não você? Por acaso esse Hassanh Adão odeia Pizza Pan?
    Detalhes a parte, o tal Hassanh escreve bem… e poderia partir para temas mais sérios, ou mesmo mais catastróficos, com um pouco de humor negro, mantendo a seriedade inicial. Dá um toque pra ele seguir uma linha mais assim, terás muito mais sucesso e um servidor travado de tantos e tantos leitores…

  4. Rafael disse

    Bravo! Realmente deve se ter colhões para publicar a história da sua vida para toda internet ver, principalmente quando sua história involve desejos suicidas, desejos homossexuais (sem pelos!), italianos peludos e bigodudos, desvirginizações, transsexuais assassinos de mães e George Michael! Até Ricky Martin ficaria embasbacado com tanta masculinidade, ui!

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